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💰 Ambipar: do lixo ao luxo, do IPO a OPA

+ A cesta não tão básica + Novo Nordisk provando do próprio remédio

Bom dia Droppers,

Pensei no chuveiro: a cesta é básica, mas o esforço para comprá-la virou missão extraordinária.

No drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

  • Inflação Alimentar: a cesta básica e o CLT

  • Ambipar: do lixo ao luxo, do IPO a OPA

  • Bolsa em liquidação: o Brasil tá (quase) na moda

  • Novo Nordisk provou do próprio veneno remédio

Por aqui, tivemos a volta do risco fiscal assombrando os investidores após Fernando Haddad soltar comentários sobre uma eventual alteração dos parâmetros do arcabouço fiscal. Isso acabou refletindo numa abertura dos juros e numa alta do dólar, colocando o real como a terceira pior moeda do dia. Além disso, o Ibovespa saiu da casa dos 132 mil pontos. Hoje teremos a ata da reunião do Copom, que apesar de ter tomado uma decisão unânime na semana passada, pode trazer mais detalhes de como foi a discussão entre o colegiado.

Lá fora, o mercado performou bem após as divulgações no final de semana de que Trump pode não implementar as tarifas recíprocas que seriam iniciadas agora no início de abril. O POTUS aproveitou esse bom humor para divulgar tarifas adicionais de 25% para qualquer país que comprar petróleo ou gasolina da Venezuela. Entre os setores, o destaque foi para consumo discricionário, que subiu 4,07%, com as ações da Amazon subindo 3,59%. As ações da Tesla também subiram ~12% depois do FBI revelar sua nova força-tarefa contra as ameaças que a empresa vem sofrendo, classificando-as como terrorismo doméstico.

A inflação alimentar segue como um dos principais vilões da economia em 2025. Em São Paulo, o preço da cesta básica alcançou R$ 860,53 em fevereiro, comprometendo quase 60% do salário mínimo - em outras palavras, o CLT que bateu ponto às 8h da manhã, precisa trabalhar até o início da tarde apenas para conseguir pagar a cesta básica.

Na prática, como os alimentos mais caros e a inflação mais alta impactam o Brasileiro?

  • Impacto no CNPJ: as redes de atacarejo que se destacam oferecendo alternativas com preços até 10% mais abaixo que os supermercados tradicionais. Além disso, os varejistas têm investido em eficiência operacional e diversificação, como os novos caixas automáticos.

  • Impacto no CPF: para quem ganha de 1 a 1,5 salário mínimo, os alimentos representam 22,6% da renda, um aumento significativo dos 18,4% de 2018. O preço do café subiu quase 40% enquanto o preço do ovo subiu +15% somente em fevereiro. A consequência é uma diminuição nos demais gastos (como saúde e educação) para cobrir as despesas cada vez mais altas para se alimentar. Outra estratégia adotada é o trade down - trocando marcas líderes por opções mais em conta.

Atualmente, o cálculo da inflação é feito pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que leva em consideração a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pela população. Ontem, o vice-presidente Alckmin sugeriu uma mudança: retirar os alimentos e energia do cálculo.

Caso a mudança seja aprovada, o impacto nos investimentos pode ser drástico:

Suponha que você tenha investido R$10.000 em um título IPCA+7% ao ano com prazo de vencimento em 2050.

Se a inflação real for de 6% ao ano, ao final do prazo, o valor investido teria rendido aproximadamente R$542 mil.

Se a inflação fictícia (excluindo o preço de alimentos e energia do cálculo) for de 3%, o mesmo valor investido renderia R$165 mil.

Uma diferença de ~70% no rendimento, sem nenhuma diferença prática da inflação.

via Rafael Zattar

Com projeções inflacionárias entre 6% e 7% para alimentos em 2025, o setor varejista deve continuar se equilibrando na corda bamba entre competitividade e lucro, enquanto a população começa a considerar criar as próprias galinhas.

Do lixo ao luxo, do IPO a OPA com a Ambipar

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A maior empresa de gestão ambiental do Brasil entrou de vez na mira da Comissão de Valores Mobiliários e, agora, a Ambipar deve ser obrigada a transformar seu IPO em uma OPA.

→ IPO: Oferta Pública Inicial, quando uma empresa estreia no mercado de capitais ao listar suas ações na bolsa.
← OPA: Oferta Pública de Aquisição, quando uma empresa fecha o capital e sai do mercado de capitais.

O que rolou? O movimento acontece depois da CVM ter concluído que o fundador e controlador Tércio Borlenghi Junior atuou em conjunto da corretora Trustee para adquirir ações da companhia, aumentando sua participação de 66% para 73% enquanto o Trustee chegou a ter 15%, depois reduzindo para 9%, fazendo com que a porcentagem de ações em circulação (free float) caísse para apenas 17%.

O que vai rolar? Se desfazer da participação e voltar a enquadrar a empresa com o percentual de ações em circulação mínimo exigido pelo CVM, que é de 20% para empresas listadas no Novo Mercado ou protocolar uma OPA e garantir aos minoritários o direito de venda em condições iguais.

Um fast recap para entender como chegamos até aqui:

  • Alta de 668%, com a diferença de mínima e máxima de quase +3.200%:

    • Preço da ação em 31/05: R$ 8,07

    • Preço da ação em 13/12: R$ 268,51

  • O valor da empresa saltou em 10x desde sua estréia na bolsa:

    • Valor da empresa em 2020: R$2,5 bilhões

    • Valor da empresa em 2024: R$ 25 bilhões

  • Como resultado, a empresa graduou e saiu do índice de Small Caps da B3

  • A taxa de aluguel para vender a empresa chegou a atingir 200% ao ano

Antes dessa alta meteórica, a empresa amargava uma queda de -89% da sua máxima anterior.

Agora, com a CVM no cangote e o mercado de olho, a grande pergunta fica no ar: será que, passada essa tempestade regulatória, a Ambipar consegue voltar a focar no core business e sustentar um valuation 10x maior que o de sua estreia na bolsa?

BRAV3: Brava Energia subiu +10,19%, em R$ 21,30, depois de já ter aberto com gap de alta na sexta passada em +5,57%. O movimento vem após a divulgação de balanço da empresa.

CVCB3: CVC chegou a disparar +10% durante o pregão, mas fechou +7,07%, em R$ 2,12 após a empresa divulgar que recebeu o Selo de Excelência de Franchising (ABF). Já são 22,54% em valorização esse ano.

USIM5: Usiminas fechou o pódio em +1,38%, encerrando em R$ 5,87, acompanhando a melhora do minério de ferro com notícias mais positivas vindo da China.

EMBR3: Embraer fechou -4,70%, em R$ 71,25. A empresa já cai ~10% nos últimos 3 pregões, mas ainda assim permanece positiva no mês, em +2,19%. No ano são +26,80% de valorização.

HAPV3: Hapvida caiu -4,15%, para R$ 2,08, depois de analistas do Goldman Sachs e também do BTG Pactual cortarem o preço-alvo da empresa.

RAIL3: Rumo cedeu -3,94%, para R$ 17,08, estendendo a queda de -2,25% na sexta-feira. A empresa cai -4,26% no ano.

Bolsa em liquidação: o Brasil está (quase) na moda

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As eleições americanas já terminaram e o mercado dos EUA está entrando no ritmo econômico do novo presidente. Por aqui, estamos prestes a entrar em período eleitoral (em 2026) e os mercados nacional e internacional já começam a se posicionar, com o Brasil voltando a aparecer nos radares gringos.

Depois de um bom tempo com o carimbo de “risco demais”, os fundos multimercado começaram a repensar as empresas brasileiras em suas estratégias. Ainda não é uma avalanche de dinheiro entrando, mas o apetite por ações brasileiras tá mudando — e os dados do ano, até agora, mostram isso:

  • Valorização: +16,3% em dólar, um dos melhores desempenhos globais.

  • Posições compradas (que apostam na alta) subiram de 33% para 37%.

  • Posições vendidas (que apostam nas quedas): caíram de 20% para 7%.

  • Investidores estrangeiros: com um saldo positivo de R$ 14,3 bilhões no ano.

Nessa onda de otimismo, alguns bancos globais – como J.P. Morgan, Morgan Stanley e Bank of America (BofA) – aumentaram suas recomendações para o mercado brasileiro, que se encontra a apenas 4,61% de suas máximas, apontando como motivos:

  • Valuations atrativos: ações baratas demais para ignorar, sendo negociadas em aproximadamente 8x P/L.

  • Cenário técnico favorável: leitura de fluxo e posições dos fundos melhorando.

  • Possível fim do ciclo de aperto monetário: com a economia perdendo tração, a Selic pode estar próxima da taxa terminal, ajudando a reancorar a inflação.

Entre os riscos, os bancos alertam que o cenário externo pode mudar rapidamente e no caso de uma recessão mais forte nos EUA a dinâmica de fluxo iria se inverter, com mais dinheiro saindo dos emergentes e voltando para terras americanas. Por enquanto os dados são sintomas de que o mercado está perdendo o medo de alocar em ações.

  • Hedge Funds: exposição em 'short' em ações americanas atinge a máxima desde o Covid.

  • Volatilidade: Traders estão mais de olho no mercado de trabalho e inflação do que nas tarifas.

  • China: teve aumento na procura por dívidas corporativas

  • Turquia: baniu vendas a descoberto e aliviou as regras para recompras, buscando conter as quedas do mercado.

  • Emirados Árabes: se comprometeu a investir US$1,4 trilhão nos Estados Unidos.

  • Cobre: já sobe 27% em 2025, chegando perto da sua máxima histórica.

  • Sul-coreanos: estão comprando ações americanas em taxas recordes.

  • Wall Street: começa a ver sinais que o sell-off de ações terminou

Novo Nordisk provou do próprio veneno remédio

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img via Finimize

A ação da Novo Nordisk, fabricante dos populares medicamentos de diabetes (e emagrecimento) Ozempic e Wegovy, parece estar tomando uma dose do próprio remédio. Após assistir suas ações valorizarem +300%, se tornar a empresa mais valiosa da Europa e ver seu valor de mercado ultrapassar o PIB do próprio país de criação (Dinamarca), entre 2020-2024, a farmacêutica agora acumula queda de -18% em 2025.

Entre os principais fatores que pesaram contra a companhia, dois se destacam:

  • Investimento bilionário na China: a empresa está investindo cerca de US$2 bilhões para licenciar um produto chinês, que pode se tornar um potencial rival do próprio Ozempic.

  • Resultados de testes: abaixo do esperado. O seu novo produto, CagriSema, prometia ser o próximo grande avanço no controle de peso. No entanto, os testes clínicos decepcionaram e não entregaram a redução esperada no peso dos pacientes.

  • Patentes não são eternas: já em 2026 o Ozempic perderá sua patente na China (e no Brasil), permitindo que outras empresas fabriquem similares mais baratos. Na Europa isso acontece em 2031 e nos EUA em 2032.

Enquanto isso, quem brilhou na Europa foi a SAP, bem longe do setor farmacêutico. A gigante alemã de software agora lidera o ranking de empresas mais valiosas do Velho Mundo, com cerca de US$ 339 bilhões em valor de mercado. Desde o início de 2023, suas ações subiram impressionantes 83% – impulsionadas pelo entusiasmo dos investidores com suas soluções em inteligência artificial.

Num cenário raro, onde as bolsas europeias estão superando as americanas, o índice alemão DAX já acumula alta de quase +20% em 2025. Curiosamente, boa parte dessa performance vem de apenas sete empresas (seriam as Magníficas Sieben?): SAP, Rheinmetall, Siemens, Siemens Energy, Deutsche Telekom, Allianz e Munich Re Group. Só a SAP responde por cerca de 40% da alta do índice.

  • Tesla: subiu ~12% depois do FBI revelar sua nova força-tarefa contra as ameaças na empresa.

  • Brisanet: Lucro recua 65% no ano passado em comparação com 2023.

  • Tupy: fundos minoritários questionam a troca de CEO.

  • Engie: BTG acredita que dividendos devem diminuir por causa das compras de hidrelétricas.

  • Fannie Mae e Freddie Mac: subiram 9,70% e 9,01% com relatos de que Trump está pensando em tornar as duas gigantes do mercado imobiliário privadas.

  • Gol: assina compromisso de financiamento em até US$ 1,25 bilhão com investidores.

  • Oncoclínicas: divulga que fundos chegaram a 15,7% de participação.

  • 23andMe: entrou com pedido contra falência

  • AgroGalaxy: retoma operação de recebimento de grãos de soja no Paraná e São Paulo.

Stats do dia

A Novo Nordisk chegou a valer US$ 660 bilhões no ano passado, enquanto o PIB da Dinamarca, foi de US$ 407,1 bilhões

 

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