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💰 S&P 500: quando a euforia vira histeria

Entendendo os COEs da XP + as RJs dos Fiagros + o êxodo cripto.

Bom dia Droppers,

Pensei no chuveiro: o índice está perto do topo, mas investir no Brasil ainda parece escalar uma montanha sem cume

No drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

  • O êxodo das criptomoedas

  • COE: o colete salva vidas da XP chega ao estrelato

  • Fiagro: cresce a fila das Recuperações Judiciais

  • S&P 500: quando a euforia vira histeria

Um Giro pelo Mercado

 Dólar

R$5.6863

-0.99%

↑ Ibovespa

130.834

+1.46%

↓ Ouro

3.008,55

-0.04%

↑ Dow Jones

41.841,63

+0.85%

↑ S&P 500

5.675,12

+0.64%

↑ Nasdaq

17.808,66

+0.31%

Por aqui, o Ibovespa está em festa, fechando o dia de ontem com a maior pontuação diária do ano, acumulando +6,5% em março, e o menor patamar do dólar desde novembro do ano passado - colocando o índice a ~5% do seu topo histórico. O empurrãozinho da semana veio do preço do petróleo, que acumula alta de ~6% na semana. Amanhã tem reunião do Copom e, apesar de já ser amplamente esperado a subida de 1% na Selic, chegando em 14,25% no ano, o mercado quer mesmo saber sobre o posicionamento do Banco Central para as próximas reuniões.

Lá fora, em meio a dados fracos das vendas de varejo, os índices americanos recuperaram parte da queda da semana passada. Os setores imobiliários (+1,66%) e o de energia (+1,56%) lideraram os ganhos, enquanto para as techs lideraram as perdas do dia, com destaque para Tesla, que caiu -4,82% e agora se encontra nos mesmos preços de janeiro de 2021. Hoje o mercado deve operar de forma mais leve, esperando o posicionamento da reunião do FOMC amanhã, onde é esperado a manutenção nas taxas de juros, mas não sabemos para que lado o Powell vai discursar.

O êxodo das criptomoedas

Pela quinta semana seguida, os produtos de investimento em ativos digitais (leia-se, criptomoedas) viram uma saída massiva de grana. Estamos falando de US$1,7 bi escorrendo pelos dedos, totalizando US$6,4 bi nessa maré de azar. É o maior período de saídas desde que começaram a contar essa história em 2015.

  • Bitcoin: liderou as saídas, com US$ 978 milhões na última semana e US$ 5,4 bilhões no último mês. Parece que até o Bitcoin entrou na dieta da Ozempic!

  • ETH: a segunda maior criptomoeda do mundo, acumula queda de 60% da sua máxima histórica e 43% somente este ano.

  • Solana: que está comemorando cinco anos de vida, já perdeu -35% de valor de mercado no último mês.

  • XRP: nadando contra a corrente, com fluxo positivo de US$ 1,8 milhão — e ameaçando tomar a segunda posição entre as principais criptos.

A realocação para baixo e para cima é fruto da montanha russa econômica gerada pelos EUA x China x Europa (seja pela guerra tarifária, seja pela guerra militar, seja pela guerra geopolítica). E se por um lado os ativos considerados mais arriscados (cripto) perderam U$48bi de valor, por outro, os ativos considerados seguros, como o Ouro, atingem nova máxima histórica, se mantendo acima dos U$3k.

COE: o colete salva vidas da XP chega ao estrelato

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Eles não são tão famosos quanto as ações, nem recebem o mesmo hype que as criptomoedas, também não são internacionais como os BDRs e nem tão cobiçados quanto os títulos do tesouro… mas isso não significa que não estejam cada vez mais presentes nas carteiras dos investidores brasileiros. Os COEs receberam R$90 bilhões em investimentos no ano passado - um crescimento de 16%, atingindo quase o dobro do volume de ETFs, que foi de R$58bi.

Os Certificados de Operações Estruturadas são uma espécie de combo financeiro, misturando elementos de renda fixa e renda variável, com 72% deles atrelados a índices como Ibovespa, IPCA e CDI. Seu super-trunfo? 97% deles oferecem capital protegido, ou seja, devolvem ao menos o valor investido.

Mas, como não existe almoço grátis, há alguns poréns:

  • Ganhos limitados: mesmo que o ativo subjacente suba, alguns COEs impõem um teto para o retorno do investidor.

  • Baixa liquidez: diferente de fundos, os COEs têm data de vencimento e, em muitos casos, não permitem saída antecipada sem custos elevados.

  • Sem correção: embora devolvam o capital investido em caso de perdas, o tempo pode corroer o valor do dinheiro, especialmente com juros altos. Cerca de 90% dos COEs têm prazos entre 2 e 6 anos, o que representa um custo de oportunidade relevante.

Uma das maiores negociadoras desse ativo no Brasil, A XP, que responde por 23% das emissões de COEs no Brasil, virou destaque em um relatório da Grizzly Research, que levantou suspeitas sobre sua estrutura operacional, sugerindo um modelo dependente da entrada de novos participantes para sustentar a rentabilidade. Em nota, a XP se explicou sobre a finalidade dos fundos e trouxe mais dados em relação a sua base de COEs:

  • Nos últimos 3 anos, 80% dos clientes que adquiriram COE tiveram rentabilidade média de 111% do CDI.

  • Dos COEs emitidos pela XP no ano passado, 80% foram de renda fixa e 95% dos clientes estão com retorno acima do CDI.

  • Os custos de emissão são compatíveis com outros produtos do mercado, variando entre 0,7% e 1% ao ano.

No fim, vale a pena investir em COEs? Como pra quase tudo no mercado financeiro, a resposta é depende. Para Luciano Diaferia, da mesa do Itaú, os COEs podem ter espaço na carteira dos clientes principalmente em casos de exposição ao exterior. Já para Antonio Polezzi, da mesa do Bradesco, eles fazem sentido em dois cenários diferentes: o de taxas de juros muito baixas ou em momentos de grande incertezas do mercado.

Antes de investir, siga a regra de ouro: saiba onde está colocando seu dinheiro antes de se comprometer!

  • SLC Agrícola: comprou R$900 milhões em terras e impacta o curto-prazo

  • JBS: está de malas prontas para levar suas ações da B3 para NYSE.

  • XP: após a polêmica, empresa explica a função dos fundos Gladius e Coliseu

  • Pepsi: vai pagar U$1,7 bilhões por uma empresa que começou no Shark Tank

  • Eletrobras: Bradesco BBI recomenda compra, com possibilidade do EBTIDA subir entre 4% e 11% do cenário-base

  • SBF: dona da Centauro tem alta de +6,4% nos lucros.

  • Mercado Libre: Research da XP começa a cobrir o papel com recomendação de “compra” e preço-alvo em US$ 2.500.

  • Forever 21: declarou falência, mostrando que nada é realmente forever.

  • Reddit: viu suas ações subirem 170% desde o IPO. E agora?

Fiagro: cresce a fila das Recuperações Judiciais

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Depois de um 2024 para esquecer, os fundos do agronegócio iniciam 2025 com um déjà-vu preocupante. Não bastou o Grupo Portal Agro e o AgroGalaxy jogarem a toalha com os pedidos de recuperação judicial, uma nova candidata entra na fila da RJ: o Grupo Safras.

Segundo o The AgriBiz, a empresa fundada pelo ex-prefeito de Sorriso (MT) se prepara para pedir ajuda para renegociar R$2 bilhões em dívidas - o que pode impactar diretamente nos fundos VCRA11 (3,18% do PL) e RURA11 (0,7% do PL).

Atualmente, nove Fiagros listados enfrentam problemas sérios, incluindo inadimplência e desenquadramento de garantias. Os fundos afetados por inadimplência já acumulam R$ 179,6 milhões em perdas, impactando:

  • IAGR11: 60% do seu PL está em créditos problemáticos.

  • GCRA11: 34% da carteira tem CRAs em dificuldades.

  • XPCA11 e CPTR11: 7-8% do PL está atrelado à falida AgroGalaxy.

A crise que culminou nas RJs do agro impactaram 300 mil cotistas. A receita do agronegócio foi espremida pela queda dos preços das commodities e por adversidades climáticas, que comprometeram a produção e os lucros de produtores e cooperativas. Como resultado, alguns fundos agro caíram -40% ao longo do ano passado - e estendem as quedas nesse primeiro trimestre também

Com um histórico de quedas acentuadas em 2024, a maioria desses fundos ainda luta para recuperar a confiança do mercado. A exceção é o NEXG11, o único Fiagro que conseguiu fechar o ano passado com valorização positiva.

O setor agro é cíclico e resiliente, mas como os últimos anos mostraram, não está imune a crises. Para quem quer investir no agro, a regra é clara: diversificação, qualidade e paciência. Afinal, colheita farta nem sempre significa lucro garantido.

  • Produção Agro BR: deve ter produção recorde de grãos de ~328mi de ton.

  • Fundos de Investimentos: teve resgate líquido de R$44,1bi em fevereiro.

  • Risk-off: ações americanas sofrem a maior saída de fluxo no ano.

  • Focus: mercado reduz projeção do IPCA de 2025 para 5,66%

  • Ouro: chegou à marca simbólica dos US$ 3.000 a onça.

  • Nasdaq: tinha os seus favoritos e oferecia execução dos trades com até 30% mais velocidade, mas SEC interviu e eles estão descontinuando esse serviço

  • Etanol: Governo vai propor aumento na gasolina para 30%

  • Japão: Berkshire Hathaway aumenta sua posição em ações japonesas.

S&P 500: quando a euforia vira histeria

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Os champanhes começaram a ser guardados nas gavetas de Wall Street. Um dos maiores índices do mundo, o S%P 500, entrou em correção técnica depois de cair -10% da sua máxima histórica há 25 dias. Se a tendência continuar e o índice ultrapassar os -20% de queda, entrará em recessão técnica ou o bear market.

Os ursos mostraram suas garras e já tem cheiro de sangue no ar:

  • S&P caiu abaixo da média móvel de 200 períodos pela primeira vez desde outubro de 2023.

  • Bancos começaram a revisar as metas do S&P 500 para baixo.

  • Hedge Funds estão vendendo ações em uma velocidade que não é vista há anos.

  • O HSBC revisou as ações americanas para “neutro”, assim como o Citigroup, que citou as tarifas e a desaceleração econômica.

  • O JP Morgan decidiu não alterar sua meta para o S&P, mas confessou que o prazo pode ser mais longo do que estavam esperando.

O clima ainda não é totalmente de velório. Apesar do pessimismo, muitos analistas acreditam que os lucros corporativos seguem fortes e que qualquer mudança nas tarifas ou no risco de recessão pode reverter a tendência. Para os que querem olhar o copo meio cheio, o estrategista da Carlson fez um estudo que mostra que 3 bear markets (depois de 2020 e 2022) em cinco anos é muito raro de acontecer.

P.S.1: O Goldman Sachs calcula uma probabilidade de 20% para uma recessão no mercado americano
P.S.2: O mercado de previsões Polymarket já calcula 41% de chance de recessão no mercado americano este ano.
P.S.3: Ainda com essa correção, no múltiplo Preço/Vendas, o índice se encontra acima da bolha dot-com

Stats do dia

O PIB do Brasil registrou uma queda de -10.98% nos últimos 10 anos.

PIB Brasileiro em 2014: $2.46 trilhões

PIB Brasileiro em 2024: $2.19 trilhões

via WorldOfStatistics

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