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💰 SELIC: a história não se repete, mas rima

O coelho da páscoa vai chegar de conversível + Warren Buffett sem Apple

Bom dia Droppers,

Pensei no chuveiro: a Selic subindo é como um freio de mão puxado no meio de uma descida - segura um pouco, mas a inércia ainda existe

No drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

  • Selic: a história não se repete, mas rima

  • Warren Buffett: o que seria da Berkshire sem a Apple?

  • Investidores: os diferentes tipos e suas teses

  • Páscoa: o coelhinho da páscoa deve chegar de conversível.

Um Giro pelo Mercado

 Dólar

R$5.6474

-0.43%

↑ Ibovespa

132.508

+0.79%

↑ Ouro

3.062,14

+0.70%

↑ Dow Jones

41.964,63

+0.92%

↑ S&P 500

5.675,29

+1.08%

↑ Nasdaq

17.750,79

+1.41%

Por aqui, tivemos o sexto pregão positivo para o Ibovespa, chegando no maior patamar desde outubro do ano passado e o dólar com o seu sétimo dia consecutivo de queda, indo para o menor patamar nos últimos 5 meses. Inclusive, nosso Real foi a melhor moeda entre as 33 mais líquidas ontem. Ao final do dia, o COPOM decidiu por subir a Selic em 1%, em 14,25% ao ano. Essa decisão já era amplamente esperada pelo mercado e não devemos parar por aí, pois em comunicado, o comitê anunciou que vê outro ajuste, mas de menor magnitude, para a próxima reunião. Eles também reduziram a projeção para inflação, mas ainda com IPCA acima da meta.

Lá fora, o pregão também foi positivo depois do FOMC decidir por manter as taxas de juros no positivo, em 4,25%-4,50%. O discurso do Powell foi interpretado como dovish, onde apesar de reconhecer um nível maior de incerteza para o futuro, vê a inflação convergindo para 2%, mesmo com as políticas tarifárias. Dessa forma, o mercado passou a precificar um corte de 0,5% ainda neste ano de 2025. Todos os setores fecharam o dia no positivo, mas os que mais andaram foram consumo discricionário (+1,9%) e energia (+1,59%).

Selic: a história não repete, mas rima

Na última reunião, o Copom decidiu subir a taxa Selic para 14,25% ao ano, o maior nível desde 2016. Hoje a motivação para o alto nível da taxa de juros é o esforço do Banco Central para segurar a inflação em um cenário econômico aquecido e cheio de incertezas. Mas, o que aconteceu no antes-e-depois dos períodos históricos em que a Selic atingiu níveis similares ao de hoje:

  • 1996-1998: a Selic chegou a incríveis 46,5%, em março de 1997, como parte das medidas para estabilizar a economia após o Plano Real. Esse período foi marcado por uma forte contração monetária e fiscal, visando controlar a inflação herdada do período pré-Plano Real. O mercado reagiu com uma estabilização inicial da inflação, mas a economia enfrentou uma recessão.

  • 2002-2003: a Selic subiu para cerca de 26% em outubro de 2002, devido à crise política e econômica que antecedeu a eleição presidencial. A alta dos juros foi uma resposta à incerteza política e ao risco de default. Após a eleição, a taxa começou a cair, e o mercado reagiu positivamente com a estabilização política.

  • 2015-2016: durante a crise política e econômica que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, a Selic atingiu 14,25% em julho de 2015 e permaneceu alta até outubro de 2016. Esse período foi marcado por uma recessão profunda e alta inflação. A alta dos juros visava controlar a inflação, mas a economia continuou em recessão até o final de 2016.

A história não se repete, mas rima. Em todos as instâncias onde a taxa de juros se encontrou em patamares elevados, os impactos no mercado foram os mesmos:
Crédito e Consumo: o acesso ao crédito mais caro gera redução no consumo e investimentos, gerando desaceleração econômica.
Inflação: pode ser a causa e também a consequência, já que aumenta-se também os custos de produção que acabam pressionando o preço final.
Mercado Financeiro: aumento do custo do capital para empresas e consumidores, além da saída dos investidores estrangeiros pelo aumento do risco.
Setores: que são intensivos em capital, como a construção e automobilístico, são particularmente afetados pela taxa elevada. Setores de consumo também são afetados pela diminuição da demanda.

Se por um lado tem investidor correndo para aproveitar as taxas de juros elevadas e garantir um rendimento no médio-longo prazo, por outro, há investidores argumentando que raramente as ações brasileiras estiveram em níveis tão baixos - mesmo que sem uma previsão clara de melhora.

Pick your battle!

O que seria do Buffett sem a Apple?

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Como sempre, a carta aos acionistas da Berkshire Hathaway é um presente de Warren Buffett para o mercado financeiro: todo ano ele segue fiel ao seu estilo, compartilhando a sua sabedoria, reconhecendo seus erros e reforçando que seu horizonte de investimento é, mesmo aos 94 anos, para o longo prazo. Nesta última carta, uma frase chamou a atenção:

"Nossa experiência é que uma única decisão vencedora pode fazer uma diferença de tirar o fôlego ao longo do tempo. Erros desaparecem; vencedores podem florescer para sempre."

Warren Buffett, na carta anual de 2024 da Berkshire Hathaway

Se a Berkshire superou o S&P desde a sua criação, é natural imaginar que a maioria dos seus investimentos superou o índice, certo? Não. A retirada de uma única ação do portfólio da Berkshire (Apple), faria com que a empresa não tivesse batido o S&P na janela dos últimos 20 anos.

  • Berkshire com Apple: Buffet +542% versus S&P +537%

  • Berkshire sem Apple: Buffet + 442% versus S&P +537%

E se por um lado a Apple trouxe incríveis ~800% de retorno para a empresa desde que ela começou a investir em 2016, por outro, nem todas grandes movimentações de Buffett deram tão certo:

  • Kraft Heinz (2015): a Berkshire virou dona de ~25% da empresa após a fusão da Kraft Foods com a H.J. Heinz. Nos cinco anos seguintes, a ação caiu 50% e a empresa teve uma baixa contábil de US$ 15 bi em 2019.

  • Precision Castparts (PCC) (2016): foi comprada por US$ 32 bi, mas em 2020 sofreu uma baixa contábil de US$ 10 bi devido à queda na demanda aeroespacial. Buffett reconheceu que pagou caro.

  • Ações de companhias aéreas (2016-2020): Investiu US$ 8 bi na Delta, United, American e Southwest Airlines, mas vendeu tudo no início da pandemia com um prejuízo de US$ 4 bi.

Resultado: mesmo com 3 dos 4 maiores investimentos dando errado, o único que deu certo fez com que o fundo performasse acima da média no período. Paciência é a chave e ela será testada algumas vezes: como exemplo:
- Palantir caiu 82% antes de subir 1575%.
- Monster andou de lado por anos. Depois de 2005, subiu +3000% em 3 anos.
- Meta chegou a cair -76% depois da aposta do Metaverso, para depois subir 635%.

Quando a empresa possui fundamento, o mercado premia o investidor paciente

VIVA3: Vivara brilhou com uma alta de +7,57%, indo para R$19,18, depois de surpreender o mercado com os seus resultados do trimestre. A empresa reportou lucro líquido de R$653,39 no ano, alta de 71,4%.

LWSA3: subiu 6,15%, em R$ 2,76, beneficiada pela forte queda de juros ontem. Mas ainda assim no ano a empresa está caindo -16,87%

VAMO3: Vamos teve alta de 5,39% a R$ 4,3, também com alívio nos juros futuros. A empresa j[a sobe 12,86%, mas ainda amarga uma queda de -9,47 no ano.

HAPV3: Hapvida teve a maior queda, caindo -4,24%, em R$ 2,26, em meio à espera do balanço. Após o pregão, a empresa anunciou lucro, revertendo o prejuízo do período passado

SLCE3: A SLC Agrícola teve uma correção de -3,52%, a R$ 18,66, após os ganhos de 8,11% do dia anterior. E ampresa sobe 3,44% no mês e no ano acumula uma alta de 6,63%.

VIVT3:Telefônica Brasil caiu -1,4%, em R$ 50,59. A empresa na noite de terça-feira wue a sua controlada integral, a Terra Networks Brasil, celebrou contrato para aquisição da Samauma Brands pelo valor de R$ 80 milhões.

Os Tipos Investidores

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Nem todo investidor tem paciência para aguentar a bipolaridade do mercado, nem estômago para segurar suas variações. Por exemplo, em 1999, a Microsoft era negociada a impressionantes 80x do lucro. Dez anos depois, esse múltiplo caiu para 9x. Mas, vinte anos depois, o mercado voltou a avaliá-la em 40x. Mas a montanha-russa financeira não é exclusividade da Microsoft. Os exemplos são infinitos, já os tipos de investidores são sempre os mesmos:

  • Value Investors: os caçadores de pechinchas, compram ações subvalorizadas com bons fundamentos ..

  • Growth Investors: pagam caro por empresas com potencial de crescer exponencialmente.

Uma mesma ação, porém, pode passar pela mão de todos esses perfis de investidores em momentos diferentes.

→ Um Value Investor compra uma ação na bacia das almas, que ao ver seus fundamentos melhorarem, chama atenção do Growth Investor, que entra pagando um prêmio pela expectativa de expansão futura.

← O Growth Investor entra no topo e, quando se as coisas não melhorarem como previu, passa a bola para o Value Investor - ou pior, se torna um "value trap" – aquela ação barata que continua barata e que talvez tenha perdido o fundamento.

Cada investidor tem um perfil, uma filosofia e um limite de tolerância ao caos. Você sabe onde se encaixa? Ou ainda está tentando descobrir? Se a resposta for a segunda opção, boas notícias: com o tempo, o mercado vai te ensinar.

  • Natalidade: nascimentos nos EUA atinge menor número dos últimos 40 anos

  • Scott Bessent: secretário do Tesouro americano não vê razão para recessão

  • Japão: banco central do Japão manteve as taxas de juros ​​em 0,5%.

  • CVM: volta a mirar em Eike, sua super-cana e sua criptomoeda.

Cacau: o coelho da páscoa vai chegar de conversível.

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Este ano o coelhinho da páscoa deve chegar de conversível, já que o Cacau, principal ingrediente, virou ouro negro ao saltar 150% e se tornar a commodity agrícola que mais subiu em 2023. Com a matéria prima em seu nível mais caro em 50 anos, as marcas estão recalibrando suas estratégias:

  • Menos ovos: a produção foi reduzida em 10%, significando quase 5 milhões de ovos a menos nas prateleiras.

  • Mais variedade: o portfólio de produtos cresceu de 600 para 800 opções.

  • Nostalgia: a estratégia emocional deste ano passa pela revisitação de sucessos dos anos 90 e 2000.

  • Shrinkflation: produtos menores, preços parecidos.

  • Misturas: o chocolate puro está dividindo espaço com bolachas, cereais e outros ingredientes para reduzir os custos.

Qual o motivo? A demanda crescente. O Sudeste Asiático, por exemplo, descobriu a beleza do chocolate e viu o consumo crescer exponencialmente nos últimos 15 anos, avançando a dois dígitos ao ano e adicionando +3 bilhões de novos consumidores na equação, o que pressionou ainda mais os preços.

Qual o impacto? Para Daniel Roque, VP da Cacau Show, a demanda deve se manter forte, já que a Páscoa será no fim de abril, quando os consumidores já estão menos pressionados pelos gastos de início de ano. A projeção da empresa é um crescimento de 38% no faturamento. Já Ernesto Neugebauer, herdeiro do fundador da primeira fábrica de chocolates do Brasil, tem uma visão mais pessimista. Para ele, o alto preço do cacau deve resultar em uma queda de 20% na demanda este ano.

A solução? A velha lei da oferta e demanda: produzir mais. A Nestlé, maior fabricante de chocolate do mundo e gigante no mercado de derivativos de cacau, aposta na produtividade das lavouras. Desde 2022, a empresa tem um programa de incentivo para agricultores na África, focado no aumento da produção e na adoção de técnicas mais eficientes.

Se as estratégias derem certo, poderemos ver um alívio nos preços nos próximos anos. Mas até lá, os chocólatras precisarão se acostumar a pagar mais por menos.

  • Caixa Seguridade: levanta R$1,22 bilhões no primeiro follow-on do ano.

  • Morgan Stanley: planejar cortar outras 2000 vagas, visando enxugar custos.

  • Positivo: lucro recua para 92,7% e chega a R$14 milhões.

  • Tesla: Short Sellers fazem US$16 bilhões em lucro com a queda das ações.

  • Hapvida: reverte prejuízo e apura lucro no 4T’24

  • Minerva: reporta prejuízo de R$1,5 bilhões no trimestre

  • GPA: pegou €75mi de empréstimo com para refinanciar suas dívidas.

  • PetroReconcavo: anuncia lucro acima do consenso e promete aumento de produção

  • Wilson Sons: teve um aumento de 7,2% no lucro, indo para R$ 121,6 milhões.

  • Vivara: cresceu 91,9% no trimestre e reportou lucro líquido de R$299,4 mi.

  • Guararapes: cresceu a receita em 10,8% no ano com expansão nas vendas e margens.

Stats do dia

O número de participantes do FOMC (o Copom Americano) que enxergam um risco maior de inflação americana subiu para 18 dos 19 participantes - apesar das falas tranquilizantes do presidente Jerome Powell.

Via Liz Ann Sonders

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